A idade dos óvulos e o espermatozoide influenciam o desenvolvimento do embrião?

No artigo anterior, conversamos sobre uma dúvida muito comum durante a fertilização in vitro: por que alguns embriões não chegam ao estágio de blastocisto?

E, quando isso acontece, é natural querer entender o motivo. Foi o óvulo? Foi o espermatozoide? Se houve fecundação e o embrião começou a se desenvolver, por que ele parou?

São perguntas que escuto bastante no consultório. E a primeira coisa que gosto de explicar é que o desenvolvimento de um embrião não depende de um único fator.

O óvulo tem um papel importante nessa história. O espermatozoide também!

O que a idade dos óvulos tem a ver com isso?

Tem bastante relação.

Nós sabemos que, conforme a idade reprodutiva da mulher avança, aumenta a frequência de alterações cromossômicas nos oócitos. E isso pode interferir tanto na formação do embrião quanto na capacidade de ele continuar se desenvolvendo.

Por isso, um óvulo pode ser fecundado, formar um embrião e esse embrião começar suas primeiras divisões. Ainda assim, ele pode apresentar alterações cromossômicas que dificultem sua evolução nos dias seguintes.

É também por esse motivo que, durante uma FIV, não olhamos apenas para o número de óvulos coletados.

Queremos saber quantos estavam maduros, quantos fecundaram e, depois, acompanhar como os embriões evoluem ao longo dos primeiros dias.

Perceba que cada etapa vai nos contando um pouco mais sobre aquele ciclo.

E o espermatozoide?

Também participa dessa história!

Às vezes, quando falamos sobre desenvolvimento embrionário, toda a atenção acaba se voltando para os óvulos. Mas não podemos esquecer que o espermatozoide fornece metade do material genético que dará origem ao embrião.

Características relacionadas ao fator masculino também podem influenciar o desenvolvimento embrionário. Alterações no material genético dos espermatozoides, por exemplo, podem estar associadas a dificuldades na continuidade desse desenvolvimento.

Então, quando um embrião não evolui como esperávamos, não podemos simplesmente concluir que o problema estava no óvulo.

Dependendo do histórico e do que observamos durante o tratamento, o fator masculino também precisa fazer parte da avaliação.

“Mas, Dra., se houve fecundação, não significa que o embrião estava normal?”

Essa é uma dúvida muito comum!

A fecundação nos mostra que uma etapa importante aconteceu, mas ainda há um caminho pela frente.

Depois dela, o embrião precisa passar por sucessivas divisões e por processos celulares bastante complexos. Ele pode começar esse percurso adequadamente e, em algum momento, desacelerar ou interromper seu desenvolvimento.

Por isso acompanhamos os embriões durante os primeiros dias no laboratório.

Não estamos observando apenas se houve fecundação, mas como aquele embrião se comporta depois dela.

E isso nos traz novas informações sobre aquele ciclo de FIV.

Então, foi o óvulo ou o espermatozoide?

Nem sempre conseguiremos dar uma resposta tão simples.

E eu acho importante falar sobre isso porque, quando alguma coisa não acontece como esperado durante uma FIV, é muito comum surgir a necessidade de encontrar uma explicação. Às vezes, até de encontrar um responsável.

Mas reprodução humana não funciona dessa maneira.

O desenvolvimento de um embrião envolve características do óvulo, do espermatozoide, do próprio embrião e uma série de eventos biológicos que acontecem depois da fecundação.

Por isso, em vez de olhar para uma informação isoladamente, precisamos entender o conjunto.

A idade da paciente, seu histórico reprodutivo, as características dos gametas, o que aconteceu na fecundação e a maneira como os embriões evoluíram ajudam a compreender melhor aquele tratamento.

E o que fazemos com todas essas informações?

É exatamente sobre isso que quero conversar com você no próximo artigo!

Se um embrião não chegou ao blastocisto, o que isso nos diz sobre aquele ciclo de FIV? Precisamos investigar alguma coisa? O tratamento precisa mudar em uma próxima tentativa? E chegar ao blastocisto significa que aquele embrião necessariamente dará origem a uma gestação?

No próximo artigo, vamos conversar sobre essas questões e entender por que o desenvolvimento dos embriões é uma parte importante da avaliação, mas precisa ser interpretado dentro de todo o tratamento.

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