Durante uma fertilização in vitro, eu sei que existe muita expectativa em torno do desenvolvimento dos embriões.
Depois da fecundação, começam a chegar as informações: quantos fecundaram, quantos continuam se desenvolvendo, como estão evoluindo… até chegarmos a uma pergunta muito importante: quantos chegaram ao estágio de blastocisto?
E quando um embrião interrompe seu desenvolvimento antes disso, é muito comum a paciente me perguntar: “Dra., por que isso aconteceu?”
A resposta nem sempre está em um único fator. E entender isso é importante!
Primeiro, o que é um blastocisto?
Depois que o óvulo é fecundado pelo espermatozoide, forma-se o zigoto. A partir daí, começam sucessivas divisões celulares e o embrião passa por diferentes etapas de desenvolvimento.
Ao longo dos primeiros dias, essas células continuam se dividindo e se organizando. Quando esse desenvolvimento prossegue, geralmente por volta do quinto ou sexto dia após a fecundação, o embrião pode chegar ao estágio que chamamos de blastocisto.
Nessa fase, já existe uma organização celular mais complexa. Há um grupo de células que dará origem ao embrião propriamente dito e outro que participará da formação de estruturas importantes para a gestação, como a placenta.
Ou seja: existe um caminho importante entre a fecundação e a formação do blastocisto. E nem todos os embriões conseguem completar esse percurso.
Mas por que o desenvolvimento pode parar?
Um embrião pode começar suas primeiras divisões normalmente e, em determinado momento, desacelerar ou interromper seu desenvolvimento.
Uma das possíveis explicações está nas alterações cromossômicas.
Algumas podem ter origem no próprio óvulo ou no espermatozoide. Outras podem surgir durante as primeiras divisões celulares depois da fecundação. Dependendo da alteração, aquele embrião pode não ter condições de continuar seu desenvolvimento até o estágio de blastocisto.
Isso faz parte da própria biologia da reprodução humana. Ter ocorrido a fecundação é uma informação importante, mas ela não nos permite concluir que todos os embriões formados conseguirão continuar se desenvolvendo.
E aqui existe outro ponto que costumo conversar bastante com as minhas pacientes: quando um embrião para de se desenvolver, não devemos procurar automaticamente um único responsável.
O que aconteceu com aquele embrião precisa ser interpretado junto com todas as outras informações que temos sobre o tratamento.
E a idade dos óvulos? E o espermatozoide?
Os dois entram nessa conversa!
A idade reprodutiva feminina tem relação com a frequência de alterações cromossômicas nos oócitos e pode influenciar o desenvolvimento dos embriões. Mas o espermatozoide também participa desse processo e fornece metade do material genético que dará origem ao embrião.
Por isso, não faz sentido olhar apenas para um dos lados.
E esse assunto merece ser explicado com mais calma. No próximo artigo, vou falar justamente sobre o papel dos óvulos e dos espermatozoides no desenvolvimento embrionário e explicar uma dúvida muito comum: se houve fecundação, isso significa que o embrião estava normal?
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